Lula assumirá presidência do Mercosul em meio a tensões com União Europeia
O presidente Lula volta a assumir a presidência do Mercosul. Alberto Fernández, da Argentina deixa o cargo em meio a tensões com a União Europeia, clima que deve dominar o encontro de amanhã terça (4/junho). Devem oparticipar do encontro Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de outros sete sul-americanos associados, exceto a Venezuela.
Será a 62ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul do grupo, desta vez em em Puerto Iguazú, província de Misiones, na Argentina. Os mandatários estão preparados para a insistência de Luis Alberto Lacalle Pou (Uruguai) em firmar um acordo bilateral com a China.
Já o presidente Lula quer dar ênfase à "repriorização" do bloco e à integração da região não somente no comércio, mas também em infraestrutura, saúde e defesa.
O acordo Mercosul-União Europeia foi concluído em 2019 (iniciou em 1999), mas ainda não foi ratificado pelos dois blocos. O maior impasse é um anexo ao texto, [side letter], proposto pelos europeus no início do ano em curso, que tornaria obrigatórios alguns compromissos ambientais antes voluntários, e contra o qual Lula já se manifestou.
Enquanto a Europa quer garantir que a exportação de commodities com problemas ambientais seja vista como uma violação passível de sanções, o governo brasileiro considera as condições muito rígidas e vem subindo o tom das críticas. "Não é possível que haja uma carta adicional fazendo ameaças a parceiro estratégico", repetiu o petista na França, há uma semana.
Outro ponto do acordo que Lula tem insistido publicamente em rever são as compras governamentais. Esse capítulo prevê "tratamento nacional" a fornecedores estrangeiros contratados pelos Estados, mas também tem várias exceções para proteger as empresas nacionais. Ainda assim, Lula, e principalmente o Alberto Férnandez, apontam prejuízospara suas respectivas indústria indústrias.
O evento é um ponto importante na reconstrução das relações diplomáticas e
parcerias com seus vizinhos mais próximos, iniciada a partir da posse do
presidente Lula em janeiro deste ano, explicou a embaixadora Gisela Padovan,
secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores
(MRE), durante entrevista à imprensa no Palácio Itamaraty. Uma vez na
presidência, o Brasil irá organizar o fórum social, o fórum empresarial e a
próxima cúpula do bloco em território nacional.
"Essa cúpula é particularmente relevante para nós porque, em primeiro lugar, o
Brasil assume a presidência pro tempore (até o final de 2023) num contexto de retomada de prioridade
da integração, então não é uma presidência rotineira, é a prioridade concedida
pelo governo aos processos de integração, começando pela volta à Celac, a
realização da cúpula sul-americana e agora o Mercosul, fundamental para o
desenvolvimento dos nossos países", disse a embaixadora.
Estão confirmadas até agora as presenças do chanceler Mauro Vieira e do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa. Ao final dos dois dias de debates, Fernández passará a presidência semestral do bloco a Lula, que organizará a cúpula seguinte.
Segundo o governo, o Mercosul movimentou US$ 46,1 bilhões internamente e US$ 727 bilhões no comércio com o resto do mundo em 2022. Os principais destinos das vendas do bloco são China, Estados Unidos e Países Baixos. A região também correspondeu a 6,5% das exportações e 6,9% das importações brasileiras no ano passado.
O comércio com os países do Mercosul é essencial para a economia brasileira.
Em 2021, o volume de negócios já havia recuperado os níveis pré-pandemia, com
cerca de US$ 35 bilhões. Em 2022, o número alcançou US$ 40,7 bilhões.
Nos
cinco primeiros meses de 2023, o volume já chegou a US$ 17,7 bilhões, um
aumento de 12,3% em relação ao mesmo período no ano passado. E a maior parte
das exportações brasileiras para o grupo de países vizinhos é de produtos
industrializados, como veículos e autopeças.

Foto: Marcos Oliveira (Agência Senado)
Durante a cúpula, os presidentes dos países do Mercosul (Alberto Fernández, da Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Mário Abdo Benítez, do Paraguai e Luiz Lacalle Pou, do Uruguai) vão debater, além do acordo com a União Europeia, um possível tratado com a Associação Europeia de Comércio Livre (AECL), grupo de países do continente que não participam do bloco europeu – Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein –, e outro com Singapura.

Foto: Marcos Oliveira (Agência Senado)
Durante a cúpula, os presidentes dos países do Mercosul (Alberto Fernández, da Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Mário Abdo Benítez, do Paraguai e Luiz Lacalle Pou, do Uruguai) vão debater, além do acordo com a União Europeia, um possível tratado com a Associação Europeia de Comércio Livre (AECL), grupo de países do continente que não participam do bloco europeu – Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein –, e outro com Singapura.
Outros temas que estão na pauta são discussões sobre as "regras de
origem", um mecanismo para garantir as boas práticas de comércio e inserir o
Mercosul nas cadeias globais de produção. No tema dos serviços, o bloco irá
debater a cooperação nas áreas da saúde, educação, defesa, proteção às
mulheres, aos povos indígenas, e proteção aos cidadãos dos países do bloco.
"Estamos em contato com ministérios e representantes da sociedade para termos uma presidência com resultados concretos para a cúpula no fim do ano. Além do fórum social, que é uma plataforma para a participação da sociedade civil, teremos o fórum empresarial", ressaltou o embaixador Francisco Cannabrava, diretor do Departamento de Mercosul.
As situações de países sul-americanos e latino-americanos que buscam uma maior integração com o bloco também serão debatidas. É o caso da Bolívia, cujo processo está em estágio avançado. Nações como Chile e Colômbia estão em processo de implementação, enquanto República Dominicana e El Salvador mantêm diálogos exploratórios com o Mercosul.
"Estamos em contato com ministérios e representantes da sociedade para termos uma presidência com resultados concretos para a cúpula no fim do ano. Além do fórum social, que é uma plataforma para a participação da sociedade civil, teremos o fórum empresarial", ressaltou o embaixador Francisco Cannabrava, diretor do Departamento de Mercosul.
As situações de países sul-americanos e latino-americanos que buscam uma maior integração com o bloco também serão debatidas. É o caso da Bolívia, cujo processo está em estágio avançado. Nações como Chile e Colômbia estão em processo de implementação, enquanto República Dominicana e El Salvador mantêm diálogos exploratórios com o Mercosul.

Leave a Comment