Ricardo Salles, "Réulator" da CPMI do MST e suas traquinagens
Ricardo Salles – ex-ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro –, famoso pela expressão "passar a boiada", agora quebra o próprio record, por conta da criativa expressão "Réulator", da Deputada Samia Bomfim. O ex-ministro tornou-se réu por corrupção e associação criminosa em caso de contrabando de madeira
Quem não lembra das palavras (gravadas em vídeo) do então ministro? – “Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos neste momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.
Acabaram "passando a boiada mesmo. Nunca houve índice tão alto de desmatamento na região amazônica, nunca a população indígena foi tão descuidade e nunca o garimpo ilegal fez tantas vítimas. Todos esses esforços renderam a Salles o título de pior ministro do Meio Ambiente que o país já teve. A disputa entre ele o ministro Pazuello, da Saúde, pelo título, foi apertada.
É justo explicar alguns aspectos que deram vantagem a Salles sobre Pazuello na disputa: Ele já havia sido condenado por fraude ambiental. Quando secretário do Meio Ambiente de São Paulo, foi investigado por por enriquecimento ilícito no mesmo período e chegou a fazer campanha para deputado federal pelo partido Novo, em 2018, pregando assassinato de sem-terras por meio de um “santinho” com imagem de munição de arma de fogo. Vale lembrar, também, investigações da Polícia Federal contra Salles sobre corrupção, envolvimento com contrabando de madeira e facilitação para o desmatamento (2021).
Reportagem da Revista Fórum lembra que, apesar de tudo, "em 2022, Salles, filiado ao PL, conseguiu se eleger deputado federal com votação expressiva e, em maio de 2023, praticamente realizou um sonho: se tornou relator de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa a criminalizar movimentos de luta pela reforma agrária, mais especificamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – aquele que o ex-ministro, em 2018, utilizou para pregar assassinatos na sua primeira tentativa de se eleger deputado". Sâmia Bomfim participou do Programa Fórum Onze e Meia, da Revista Fórum, momento em que falou sobre o que iniciou como brincadeira, mas acabou "pegando".
No papel de relator da CPMI do MST, Salles mostrou com competência sua misoginia, ao massacrar o aguerrido grupo de mulheres da situação. A gloriosa perseguição, que inclui até invasão de domicílios de assentados, foi curta. A 28 de agosto a 4ª Vara Federal do Pará aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou o bolsonarista, oficialmente, réu pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa, facilitação ao contrabando, advocacia administrativa e obstrução à fiscalização ambiental. Trata-se de um desdobramento da mesma investigação que o levou a deixar o governo Bolsonaro em 2021.
Acabaram "passando a boiada mesmo. Nunca houve índice tão alto de desmatamento na região amazônica, nunca a população indígena foi tão descuidade e nunca o garimpo ilegal fez tantas vítimas. Todos esses esforços renderam a Salles o título de pior ministro do Meio Ambiente que o país já teve. A disputa entre ele o ministro Pazuello, da Saúde, pelo título, foi apertada.
É justo explicar alguns aspectos que deram vantagem a Salles sobre Pazuello na disputa: Ele já havia sido condenado por fraude ambiental. Quando secretário do Meio Ambiente de São Paulo, foi investigado por por enriquecimento ilícito no mesmo período e chegou a fazer campanha para deputado federal pelo partido Novo, em 2018, pregando assassinato de sem-terras por meio de um “santinho” com imagem de munição de arma de fogo. Vale lembrar, também, investigações da Polícia Federal contra Salles sobre corrupção, envolvimento com contrabando de madeira e facilitação para o desmatamento (2021).
Reportagem da Revista Fórum lembra que, apesar de tudo, "em 2022, Salles, filiado ao PL, conseguiu se eleger deputado federal com votação expressiva e, em maio de 2023, praticamente realizou um sonho: se tornou relator de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que visa a criminalizar movimentos de luta pela reforma agrária, mais especificamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – aquele que o ex-ministro, em 2018, utilizou para pregar assassinatos na sua primeira tentativa de se eleger deputado". Sâmia Bomfim participou do Programa Fórum Onze e Meia, da Revista Fórum, momento em que falou sobre o que iniciou como brincadeira, mas acabou "pegando".
No papel de relator da CPMI do MST, Salles mostrou com competência sua misoginia, ao massacrar o aguerrido grupo de mulheres da situação. A gloriosa perseguição, que inclui até invasão de domicílios de assentados, foi curta. A 28 de agosto a 4ª Vara Federal do Pará aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou o bolsonarista, oficialmente, réu pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa, facilitação ao contrabando, advocacia administrativa e obstrução à fiscalização ambiental. Trata-se de um desdobramento da mesma investigação que o levou a deixar o governo Bolsonaro em 2021.
“RÉUlator”
Ricardo Salles se tornou réu juntamente com outras 21 pessoas, entre elas o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, que são acusadas pelo MPF de integrarem uma organização criminosa que encampou um "grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais".
"A mais alta cúpula do Ministério do Meio Ambiente e a alta direção do Ibama manipularam pareceres normativos e editaram documentos para, em prejuízo do interesse público primário, beneficiar um conjunto de empresas madeireiras e empresas de exportação que tiveram cargas de madeira apreendidas nos Estados Unidos", diz trecho da denúncia.
Enquanto ministro do Meio Ambiente, Salles teria permitido a exploração ilegal de madeira da Amazônia para venda no exterior, depois de alterar regras do Ibama. De acordo com a investigação, Salles teria alterado regras ambientais para legalizar cargas de madeira obtida com desmatamento ilegal para vendê-la nos Estados Unidos.
Enquanto ministro do Meio Ambiente, Salles teria permitido a exploração ilegal de madeira da Amazônia para venda no exterior, depois de alterar regras do Ibama. De acordo com a investigação, Salles teria alterado regras ambientais para legalizar cargas de madeira obtida com desmatamento ilegal para vendê-la nos Estados Unidos.
“Decidi que falaria sobre isso, é claro. Lembro que, na instalação da CPI, questionei Salles como relator devido ao seu alinhamento com interesses do latifúndio e seus financiadores. Sua campanha foi anti-MST e o regimento é claro sobre impedir interesses individuais ao relatar [...] decidimos chamá-lo de "RÉUlator" por brincadeira, foi uma coisa informal. Pode ser meio jocoso, meio tosco, mas pegou. Acho que foi bom, o deixou constrangido”, disse Sâmia Bomfim em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia.

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