Empréstimo do CAF à Argentina virou "novela" no Estadão
Decisão do banco (CAF) foi anunciada em julho e compromisso liquidado pelo país em agosto, antes, portanto, da "novela" criada pela grande imprensa
Diferentemente do que vem sendo repercutido, o já famoso empréstimo de US$ 1 bilhão feito pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) não teve intervenção do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Também ao contrário do informado, o Chefe de Estado brasileiro não conversou sobre o empréstimo com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, representante do Brasil no banco multilateral.
A Argentina apresentou o pedido de empréstimo-ponte à instituição financeira, que convocou os países acionistas para apreciar o pedido em julho de 2023. Foram 19 votos favoráveis dos 21 possíveis.
O Brasil detém 8,8% do capital da instituição e com direito a um voto, atrás da Bolívia, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela possuem dois votos cada. O CAF é um banco multilateral de desenvolvimento, hoje com uma carteira ativa de mais de US$ 4 bilhões de empréstimos para o Brasil.
A decisão pelo aprovação do empréstimo se deu em 28 de julho. De acordo com o comunicado do banco, a operação foi analisada em uma reunião virtual extraordinária momento em que houve uma reflexão sobre a possibilidade da América Latina e Caribe, por meio da instituição financeira, poder reagir de maneira ágil e efetiva, com espírito de urgência e espírito de solidariedade e confiança, à necessidade de um país acionista.
“Esta aprovação é uma demonstração de como o CAF conta com ferramentas e vantagens financeiras e de governança consideráveis para ser um ator relevante e oportuno nas decisões globais que envolvam a América Latina e o Caribe”, avalia o banco em seu comunicado.
No dia 25 de agosto de 2023, cinco dias antes do previsto, a Argentina liquidou o empréstimo feito pela CAF, o que não impediu a criação de grosseira fake news. A matemática mais básica mostra que Lula teria intercedido em favor da Argentina quando ela já estava com o empréstimo em "seu cofre".
A Argentina é um país cuja saúde econômica é imprescindível para o Brasil. A corrente de comércio entre os dois países somou US$ 20,5 bilhões nos primeiros oito meses do ano, com saldo superavitário para o Brasil de US$ 4,4 bilhões, com forte presença de manufaturados. Resumo: sem dinheiro, a Argentina não compra e, diga-se, nesse caso se está falando de dinheiro do Carf. O empréstimo à Argentina, vizinha e parceira comercial, não contou com um único R$.
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Fake news
Os primeiros capítulos da novela Carf surgiram no X (antigo Twitter) da editora-executiva do Estadão, Andreza Matais. Mesmo depois de desmentida, a fake news continuou a circular (Milei retuita o Estadão de lá, o Estadãon retuita Milei de cá...).Em meio à polêmica sobre a fake news disparada pelo Estadão sobre a inexistente atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liberar o empréstimo à Argentina, a conta editora-executiva do periódico paulista, no X, o antigo (Twitter), saiu do ar, não sem que antes a jornalista oferecesse demonstração de completa falta de profissionalismo e bom senso sobre o que seja jornalismo, ao publicar, sem a menor justificativa, o salário do assessor da Secom George Marques que desmentiu a fake news apresentando fatos.
“Atenção! A decisão de empréstimo de 1 bilhão de dólares do CAF à Argentina foi tomada pela diretoria do banco, composta por países membros, e não teve interferência do presidente Lula. Verifique os fatos e espalhe a verdade”, escreveu George no X. A Secretaria de Especial de Comunicação da Presidência da República (Secom) divulgou, nota em que desmente a reportagem. Segundo a matéria, o presidente Lula teria atuado diretamente para emprestar US$ 1 bilhão ao país vizinho com o objetivo de ajudar o ministro da Economia e candidato peronista à presidência, Sergio Massa, e impedir a vitória do extremista de direita Javier Milei.
Não foi suficiente, para a jornalista e para seu jornal, um desmentido da ministra do Planejamento, Simone Tebet, em entrevista à CNN Brasil. “Lula não me ligou [...] Despachei com minha secretária de assuntos internacionais, que disse que os demais países votariam a favor", disse Tebet.
Além de o empréstimo à Argentina não depender do governo brasileiro, o país vizinho quitou totalmente a dívida com o banco multilateral, em 25 de agosto – 5 dias antes do previsto.
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