Ibama combate desmatamento por arremesso de agrotóxico em terra indígena invadida por grileiros

A constatação ocorreu nesta quinta-feira (5), num sobrevoo feito por agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas),


FOLHAPRESS - Equipes responsáveis por uma operação em curso na Terra Indígena Apyterewa, no Pará, detectaram um desmatamento de 1.125 hectares de floresta executado por meio de uma das técnicas mais agressivas e danosas para a destruição da mata: o arremesso aéreo de agrotóxicos.

Agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal) sobrevoaram a área.

Uma força-tarefa tenta pôr fim a uma vila instalada dentro de um de dois territórios, com igrejas, bares, restaurantes, posto de gasolina e hotel: Apyterewa e Trincheira Bacajá, no Pará. Nos territórios vivem 2.500 indígenas parakanãs, mebengôkres kayapós e xikrims, divididos em 51 aldeias.  

A invasão envolve 1.600 famílias, segundo o MPI (Ministério dos Povos Indígenas). Agentes responsáveis pela operação dizem que os invasores podem chegar a 15 mil pessoas.

Para o desmatamento criminoso da área, os invasores (grileiros e posseiros) recorrem ao despejo de agrotóxico do tipo desfolhante, conforme agentes envolvidos na ação.  Segue a corte da vegetação, com uso de motosserras e o fogo.

A desintrusão de Apyterewa e Trincheira Bacajá é planejada dentro do MPI pelo menos desde agosto. Foi colocada no topo das prioridades, em razão do avanço de posseiros e grileiros, especialmente ao longo dos anos do governo Jair Bolsonaro (PL), segundo reportagem da Folha.

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a retirada de invasores de sete terras indígenas, entre elas Trincheira Bacajá, em decisões tomadas a partir de maio de 2021. O governo Bolsonaro desrespeitou a decisão, e o governo Lula (PT) vem executando ações de desintrusão a passos lentos.

Na lista dos sete territórios está a terra yanomami, território onde há uma operação de desintrusão em curso desde fevereiro. Mais de 20 mil garimpeiros haviam invadido o espaço, no lado de Roraima.

O governo federal, diante da resistência de invasores, estabeleceu um prazo para a saída voluntária, com bens e gado: até o próximo dia 31. O comunicado feito afirma que decisão judicial determina retirada imediata, mas que haverá o prazo de quase um mês para que as famílias deixem as terras indígenas.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está elaborando um cadastro de posseiros. A previsão para a de desobstrução é de 90 dias, com manutenção de medidas que impreça o retorno dos invasores. 

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