Carla Zambelli e hacker da Lava Jato indiciados por invasão ao sistema do CNJ




Eles podem responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica


A Polícia Federal (PF) concluiu a investigação sobre a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o indiciamento da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e do hacker Walter Delgatti. Eles podem responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.

A Polícia Federal afirma, em seu relatório,  que documentos apreendidos com a deputada correspondem, integral ou parcialmente, aos arquivos inseridos pelo hacker Delgatti no sistema do CNJ, o que , de acordo com os investigadores comprova az participação da Deputada no ataque.

O advogado Daniel Bialski, defensor da deputada, reforça:  "A arbitrária interpretação deduzida pela autoridade policial asseverando que a deputada tenha recebido eventualmente documentos não evidencia adesão ou qualquer tipo de colaboração, ainda mais que ficou demonstrado que não houve qualquer encaminhamento a terceiros, bem como ficou igualmente comprovado que inocorreram repasses de valores".

O advogado Ariovaldo Moreira, defensor de Walter Delgatti, afirmou que "o indiciamento de Carla Zambelli confirma que Walter, a todo momento, colaborou com a justiça, levando a PF até a mandante e financiadora dos atos perpetrados por ele."

Entre os documentos mencionados pela Polícia Federal, está o mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e um recibo de bloqueio de R$ 22,9 milhões em bens do ministro. O valor corresponde à multa imposta por Moraes ao PL por questionar as urnas eletrônicas nas eleições de 2022. Havia ainda uma ordem, também falsa, para quebrar o sigilo bancário do ministro.


A PF concluiu que o ataque foi planejado para colocar em dúvida a credibilidade do Poder Judiciário. Com o fim do inquérito, cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR) dizer se vê ou não elementos para oferecer denúncia.

Walter Delgatti narrou à Polícia Federal que recebeu cerca de R$ 40 mil para tentar invadir os sistemas do Judiciário. Ele entregou comprovantes de transferências, que somaram R$ 10,5 mil, feitas por um ex-assessor da deputada. O restante, segundo o relato, teria sido entregue em espécie, em São Paulo. Os investigadores desmontaram parte do depoimento. A PF concluiu que os pagamentos foram para comprar garrafas de uísque. Por isso, o hacker também foi indiciado por denunciação caluniosa. Ele está preso preventivamente.


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