O Governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda consternação, dos
disparos por arma de fogo, por forças israelenses, ocorrido no dia de ontem,
no Norte da Faixa de Gaza, em local em que palestinos aguardavam o recebimento
de ajuda humanitária. Na ocasião, mais de 100 pessoas foram mortas e mais de
750 feridas por tiros, pisoteio ou atropelamento.
As aglomerações em
torno dos caminhões que transportavam a ajuda humanitária demonstram a
situação desesperadora a que está submetida a população civil da Faixa de Gaza
e as dificuldades para obtenção de alimentos no território.
Trata-se de uma situação intolerável, que vai muito além da necessária
apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos de ontem.
Autoridades da ONU e especialistas em ajuda humanitária e assistência de saúde
de diferentes organismos e entidades vêm denunciando há meses a sistemática
retenção de caminhões nas fronteiras com Gaza e a situação crescente de fome,
sede e desespero da população civil. Ainda assim, a inação da comunidade
internacional diante dessa tragédia humanitária continua a servir como velado
incentivo para que o governo Netanyahu continue a atingir civis inocentes e a
ignorar regras básicas do direito humanitário internacional. Declarações
cínicas e ofensivas às vítimas do incidente, feitas horas depois por alta
autoridade do governo Netanyahu, devem ser a gota d’água para qualquer um que
realmente acredite no valor da vida humana.
O governo Netanyahu volta a mostrar, por ações e declarações, que a ação
militar em Gaza não tem qualquer limite ético ou legal. E cabe à comunidade
internacional dar um basta para, somente assim, evitar novas atrocidades. A cada
dia de hesitação, mais inocentes morrerão.
A humanidade está falhando
com os civis de Gaza. E é hora de evitar novos massacres.
Ao
expressar sua solidariedade ao povo palestino, sobretudo aos familiares das
vítimas, o Brasil reafirma seu firme repúdio a toda e qualquer ação militar
contra alvos civis, sobretudo aqueles ligados à prestação de ajuda humanitária e
de assistência médica.
O massacre de hoje vem se somar às mais de 30
mil mortes de civis palestinos, das quais mais de 12 mil são crianças,
registradas desde o início do conflito, além dos mais de 1,7 milhão de
palestinos vítimas de deslocamento forçado. O Brasil reitera a absoluta urgência
de um cessar-fogo e do efetivo ingresso em Gaza de ajuda humanitária em
quantidades adequadas, bem como a libertação de todos os reféns.
O
Governo brasileiro recorda a obrigatoriedade da implementação das medidas
cautelares emitidas pela Corte Internacional de Justiça, em 26 de janeiro
corrente, que demandam que Israel tome todas as medidas ao seu alcance para
impedir a prática de todos os atos considerados como genocídio, de acordo com o
Artigo II da Convenção para a Prevenção e a Repressão e Punição do Crime de
Genocídio.
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