Brasil lidera iniciativa global pela integridade da informação sobre mudanças climáticas

Ministro da Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, no evento do G20 sobre
Integridade da Informação em São Paulo ocorrido nos dias 30/4 e 1º de maio
Na abertura do evento do GT de Economia Digital do G20 sobre promoção da integridade da informação, o ministro Paulo Pimenta, da Secom/PR, destacou a movimentação brasileira pelo enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio no mundo
O Brasil está na liderança de uma iniciativa global para promover a integridade da informação sobre mudanças climáticas. De acordo com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Paulo Pimenta, as Nações Unidas e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), são parceiras na construção da proposta, que deve reunir coletivos internacionais de pesquisadores como a Rede de Conhecimento Global, o Observatório da Informação e Democracia e o Painel Internacional sobre o Ambiente Informacional, assim como outras agências do Sistema ONU diretamente envolvidas no enfrentamento das mudanças climáticas. O anúncio foi feito nessa quarta-feira, 1/5, durante evento do grupo de trabalho de Economia Digital do Fórum G20, em São Paulo.
“Acreditamos que a desinformação e o discurso de ódio afetam o exercício pleno de direitos individuais e coletivos. O enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio fortalece a liberdade de expressão, porque promove o acesso à informação para o conjunto da sociedade e protege o direito de expressão de grupos minorizados”, declarou o ministro brasileiro.
Pimenta destacou que o governo brasileiro busca diálogo permanente para enfrentar a questão da desinformação e do discurso de ódio, defendendo os direitos humanos. Para ilustrar os esforços, o ministro falou sobre iniciativas como o Brasil contra Fake; ComunicaBR, o Saúde Com Ciência e a Estratégia Brasileira de Educação Midiática. “O Brasil aposta numa abordagem abrangente, que promova o equilíbrio de direitos. Acreditamos no valor da informação e da transparência para garantir que os cidadãos tenham informações precisas sobre o governo e as políticas públicas", pontuou.
O ministro salientou ainda que o Brasil seguirá pautando globalmente a urgência pela regulação “democrática” das plataformas digitais. O chefe da Comunicação do governo resgatou que o modelo de negócio das empresas favorece a disseminação de desinformação e discursos de ódio e que as plataformas precisam “ter mais responsabilidade para garantir que o ambiente digital não seja usado para a disseminação de conteúdos ilegais”.
“A regulação deve ser equilibrada para promover e garantir a liberdade de expressão ao mesmo tempo em que protege outros direitos fundamentais dos cidadãos. Entendemos que a União Europeia e o Reino Unido são referências de legislação recente que vão nessa direção e devem inspirar os debates globais”, declarou.
Em outro painel, realizado no mesmo evento, Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas do Brasil (MPI), considerou que levar informação de qualidade para as pessoas é fundamental para combater as narrativas de desinformação que disseminam discriminação contra indígenas no país, principais protetores da biodiversidade no mundo. “O desconhecimento da sociedade sobre quem são os povos indígenas faz com que qualquer mentira divulgada seja levada como verdade. O esforço do MPI é por estratégias, por meio da educação, da saúde e da imprensa, para levar informação verídica sobre quem são os povos indígenas, onde estão e o que estão fazendo para conter a violência que acontece não só nas cidades, mas dentro dos nossos territórios e preservar a biodiversidade”, explicou a ministra Guajajara.
De acordo com Angie Holan, diretora do International Fact-Checking Network, destacou o papel do jornalismo para ajudar a frear a disseminação de mentiras e conteúdos falsos. “Há muito negacionismo sobre mudanças climáticas, mas parece que isso está regredindo. O jornalismo é importantíssimo para contribuir para a criação da percepção individual sobre os efeitos climáticos extremos”, considerou.
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