Com risco de até 300 milímetros de chuva nos próximos dias, RS pode ter piora nas cheias e deslizamentos

O alerta é válido para o estado de sexta-feira (10/maio) até segunda-feira (13/maio)



.Renan Mattos / Agencia RBS
Nesta quinta-feira (9/maio), o Guaíba ficou abaixo dos 5m pela primeira vez desde sábado (4/maio)


De sexta-feira (10) a segunda-feira (13), a previsão para o Rio Grande do Sul é de um cenário parecido com o que aconteceu na última semana, quando fortes temporais atingiram dezenas de municípios gaúchos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há riscos geológicos e hidrológicos para quase todo o Estado.

De acordo com nota emitida pelo Inmet, Cemaden, Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), algumas regiões do Rio Grande do Sul podem registrar volumes superiores a 150 milímetros em quatro dias. Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pontua que a possibilidade de ocorrer volumes extremos, como 200mm ou 300mm durante o mesmo período, não pode ser descartada.

O volume de chuva previsto é maior do que as média prevista para todo o mês no Estado. De acordo com a Climatempo, em maio costuma chover entre 100mm e 180mm no Rio Grande do Sul. Considerando os temporais da última semana, alguns municípios, como Santa Maria, já ultrapassaram esse valor em, pelo menos, três vezes. Nos últimos 10 dias, a cidade da Região Central já registrou 493,5mm de chuva, segundo dados do Inmet, apontados em ZH.

"Teremos um sistema bastante semelhante ao que causou toda a chuva da semana passada. Não significa que seja igual, mas a tendência é que também tenha um sistema meteorológico chamado frente estacionária atuando no Rio Grande do Sul nos próximos dias. Novamente, os maiores acumulados devem ficar na Metade Norte", afirma Lopes ao jornal.

A nota do Inmet, Cemaden, Cenad e Inpe também chama a atenção para o centro-leste e o nordeste do Estado. Isso significa que a condição afetará a Região Metropolitana, Serra, Vale do Taquari, Vale do Sinos, Vale do Rio Pardo, Centro e Norte. Segundo Lopes, o volume de chuva pode variar dependendo de cada região, mas estima-se que seeja próximo ou superios a 50mm por dia.

O especialista descreeve condições para chuva com valores extremos, frisando que o volume em cada região específica vai depender de onde esse sistema vai ficar parado e permanecer por mais tempo. Ele aponta paridade nos mapas, sinalizando para chuva acima dos 150mm (para os quatro dias) e o cenário de valores extremos está dentro disso.

O perfil da chuva também será parecido com o registrado na última semana. A condição pode alternar bastante, mas a chuva deve ser persistente, podendo ficar mais forte durante alguns momentos. No noroeste do Estado, há chances de temporais com ventania e queda de granizo. A Metade Sul pode receber chuva menos intensa.

Risco de cheias e deslizamentos

Nota divulgada pelo Cemaden nesta quinta-feira (9/maio) sinaliza que o Rio Grande do Sul pode enfrentar mais problemas geo-hidrológicos causados pela chuva nos próximos dias. Existe probabilidade de deslizamentos no Centro, Litoral Norte, Região Metropolitana, Região dos Vales, Serra e parte do Noroeste. O risco é moderado no Norte e em parte do Noroeste.

O órgão pontua que os municípios das bacias hidrológicas do Rio Uruguai, Rio Camaquã, Rio Gravataí, Rio dos Sinos e Rio Caí correm risco muito alto de registrar eventos hidrológicos, uma vez que já estão cheias e em condições críticas. 

O Rio Vacacaí e o Baixo Jacuí foram classificados pelo Cemaden como locais de alto risco. Já o Alto Jacuí, o Taquari e o Jaguarão-Piratini estão sinalizados como bacias de moderado risco. Os hidrólogos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trabalham com três possíveis cenários que dependem de onde a chuva seja mais volumosa.

Se a chuva ocorrer na bacia do Rio Taquari e em tornopode haver nova subida nos níveis, para além desses cinco metros. Se chover mais na direção sul, próximo da Região Metropolitana, esse repique seria menor., c om  pequena subida no Guaíba, (nível poderia chegar aos 4,7). E, finalmente, se não chover, a expectativa é que, na semana que vem, o nível fique abaixo da marca dos 4m,  segundo explica Fernando Fan, professor e pesquisador do IPH ao Jornal ZH. Os cenários já estão considerando a ação e direção do vento.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, a Defesa Civil do RS sinalizou que tem conhecimento dos riscos apresentados pelo Cemaden.

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