Filme de Oliver Stone sobre Lula estreia no Festival de Cannes: “Uma alma maravilhosa”, diz cineasta
Obra foi muito bem recebida por um “público eclético” e, ao fim da exibição, recebeu quatro minutos de aplausos calorosos no ‘Le Palais des Festivals et des Congrès de Cannes‘ – sede do evento
"... é sobre uma pessoa muito especial. Um dos líderes únicos. Uma alma maravilhosa“, declarou Stone um dos diretores mais aclamados do cinema mundial, sobre o presidente Lula.
Urbs Magna – O cineasta acrescentou que já esteve com muitos líderes, mas que com o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi diferente: "…realmente sinto o coração dele". O filme Lula integra a mostra “Sessões Especiais” e foi recebido de forma calorosa pelos espectadores, que lotaram a sala "Agnès Varda".
Segundo Stone, o “filme é sobre uma pessoa muito especial nos dias de hoje. Ele é, penso eu, um dos líderes únicos. Ele é um homem da classe trabalhadora que, como verá, veio do nada. Não sabia ler até estar no sétimo ou oitavo ano. Ele realmente teve dificuldades para chegar onde está e tem mais dificuldades no filme. Por favor. Admiro profundamente este homem. Sei que muitas pessoas nas classes mais altas o odeiam e não acho que alguns de vocês aqui hoje o façam. Por favor, não odeiem muito, porque ele é uma alma maravilhosa. Acredito que estive com muitos líderes e realmente sinto o coração dele“.
Segundo Flavia Guerra jornalista do UOL, Oliver Stone e outro cineasta, Rob Wilson, preparavam “Lula” há vários anos e sua primeira sessão teve um público “bastante eclético“. O GShow escreveu que a obra foi muito bem recebida e, ao fim da exibição, recebeu quatro minutos de aplausos calorosos no ‘Le Palais des Festivals et des Congrès de Cannes‘ – sede do evento. De acordo com Flávia, a plateia embarcou na proposta e, mesmo que sóbria, aplaudiu muito no final. Houve gritos de “obrigado” para Stone e equipe, e gritos de “Olê, olê, olá, Lula, Lula!” quando Stone deixava a sala.
O documentário parte da infância de Lula em Pernambuco, conta sua chegada em São Paulo, o curso profissionalizante na adolescência, o acidente de trabalho que lhe custou um dedo e a entrada no movimento sin dical até a criação do PT (Partido dos Trabalhadores), hoje a maior legenda de esquerda da América Latina.
“Sei que há bons filmes sobre o Lula. Eu vi “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa. É um filme muito bom, gostei muito. Mas é um filme brasileiro e tem detalhes sobre os quais o público norte-americano ou europeu talvez não estejam interessados. Então, meu documentário é um pouco mais amplo e menos detalhado. E ela (Petra) fez um ótimo trabalho“, declarou Stone em entrevista ao Splash UOL, em dezembro de 2022, durante o Red Sea International Film Festival, em que foi presidente do júri.
O documentário deixa clara a partricipação dos Estados Unidos na tessitura do golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, e menciona personagens importantes da história recente como Sérgio Moro, Deltan Dalagnol e Walter Delgatti Neto, todos circulando em torno da Lava Jato/Vaza Jato, pela narrativa do joirnalista Glen Greenwald. Uma história suja, como já disse Stone em 2022.
O filme aponta, também, a participação da mídia brasileira e sua responsabilidade em contribuir para o cenário de desinformação que tomou conta do Brasil e que desembocou no impeachment de Dilma Rousseff e na eleição de Bolsonaro. “Oligárquica, conservadora e propagandista, controlada por poucas famílias ricas“, define Stone.
Uma entrevista com o cineasta, antes da prisão de Lula, mostra como sua mente entendia a política brasileira. (Leia matéria completa)
Uma entrevista com o cineasta, antes da prisão de Lula, mostra como sua mente entendia a política brasileira. (Leia matéria completa)
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