Haddad confronta extrema-direita na Câmara e mostra que déficit é herança de Bolsonaro
Calote dos precatórios no governo Jair Bolsonaro pressionou as contas do atual governo, que "herdou" os mais de R$130 bilhões de dívida que estavam "debaixo do tapete"
Brasil 247 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na quarta-feira (22/maio) que o déficit frequentemente atribuído pela extrema-direita ao governo do presidente Lula é herança do governo de Jair Bolsonaro, que deixou, segundo o titular da pasta, mais de R$ 130 bilhões em "calote".
Ao rebater o deputado Filipe Barros (PL-PR) durante audiência na Câmara, Haddad afirmou: “Se nós não estabelecermos a verdade, não vamos andar. É fácil, o senhor vai colocar o vídeo da sua fala nas redes sociais e vai parecer que o senhor ganhou um debate. O senhor perdeu o debate. Foi isso que aconteceu aqui”.
Ele atribuiu a questão do déficit à irresponsabilidade fiscal do governo Bolsonaro, lembrando que isso havia acontecido apenas com Fernando Collor de Melo. “Os dados que o senhor trouxe estão equivocados, nós pagamos o calote que foi dado aos governadores e aos credores do estado. Estou falando de mais de R$ 130 bilhões de calote que pagamos. O senhor vai botar na conta do presidente Lula?”, questionou.
“Esse déficit não é nosso, o filho é teu, tem que assumir. Tem paternidade. Faz um exame de DNA que você vai saber quem deu o calote”, finalizou Haddad.
Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, o governo central apurou déficit primário de R$ 1,527 bilhões em março. No acumulado do primeiro trimestre deste ano, entretanto, há superávit de R$ 19,431 bilhões.
Os últimos dias parecem indicar que os ministros de Lula [pelo menos um bom número deles] perderam a timidez e resolveram fazer uso de algo que a esquerda maneja como ninguém: o humor inteligente e, pode-se dizer até, sarcástico. Quem fez escola nessa linha foi Dino, com suas "tiradas" históricas. Sua presença no STF parece ser contagiante nesse sentido, haja vista a manifestação de Carmen Lúcia em dobradinha com Moraes a respeito da hoje ré Carla Zambelli e seu "ajudante de ordens", ou a "sacada solo" de Moraes, com a história do cabo e do soldado, de autoria de um dos "zeros" de Bolsonaro. Gilmar Mendes, o decano do STF, já era diplomado na questão sarcasmo. Ontem (21/maio), Paulo Pimenta arrancou aplausos, provocou riso e deixou "sem chão" um repórter que tentou uma provocação. Agora (22/maio), afiadíssimo, Fernando Haddad entrou para o time, desmontando bolsonaristas na câmara.
O time de ministros pode, ainda, enfrentar alguns descompassos, mas no quesito "ridendo castigat mores" (brincando se diz a verdade, em tradução livre), acertou a toada e está acabando com a lacração barata.
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