Senador abastece carros da família e de sua empresa com verba pública
O gasto mensal levantado pela Folha daria para cruzar quatro vezes o país
Segundo a Folha, a média mensal desses gastos, cerca de R$ 9.000, possibilitaria cruzar o Brasil, em uma linha reta do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS), quatro vezes por mês. O site Metrópoles também tratou do tema em reportagem recente, informa o jornal.
A reportagem aponta R$ 336 mil em despesas exclusivamente com postos de gasolina por meio da análise do nome dos estabelecimentos, que é de longe o maior entre senadores por São Paulo. Outro posto, o Irmãos Miguel, aponta reembolsos que somam cerca de R$ 122 mil. O estabelecimento fica na cidade de Morungaba, de menos de 14 mil habitantes, no interior de São Paulo. A Folha também encontrou gastos em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Todas registradas em finais de semana, quatro notas totalizam gastos de R$ 1.200 no Auto Posto Ipiranguinha, na rodovia Oswaldo Cruz – [a reportagem localizou ação judicial do ano passado que cita um imóvel do filho de Giordano, Lucca, em condomínio a cerca de 2 km do local].
As despesas do senador com alimentação também chamam a atenção pela predileção por restaurantes caros, conforme foi revelado pelo Metrópoles, independentemente do dia semana (como domingo, por exemplo) ou de o senado estar em recesso. Em um domingos em Ubatuba, em janeiro de 2023, também foi registrado um gasto R$ 255 com um pedido de um abadejo para dois. Em março, há uma nota fiscal de R$ 681 da churrascaria Varanda Grill, na região da Faria Lima, que incluiu dois carrés de cordeiro por R$ 194 cada. Em 2022, o ressarcimento foi de R$ 810 na churrascaria Rodeio, em Cerqueira Cesar, com direito a uma picanha para dois no valor de R$ 385.
O senador Giordano afirma que os gastos já foram analisados pelo Senado, pela Procuradoria-Geral da República e pelo STF, sendo que os dois últimos arquivaram procedimento preliminar "por entenderem que não há qualquer ilegalidade nos apontamentos realizados".
O MPF havia pedido à corte que intimasse o senador após apurar gasto de R$ 3.900 em gasolina e diesel em um só dia. O arquivamento ocorreu após explicação de que esse tipo de gasto se referia a 15 dias ou mais, e não a uma única visita. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aceitou o argumento e ressaltou que os gastos não ultrapassam o limite mensal de R$ 15 mil para esse tipo de item.
Giordano declarou à Folha que cota parlamentar contempla, também, gastos de sua assessoria quando em atividade e afirma que "utiliza e disponibiliza para seus assessores, quando em apoio à atividade parlamentar, os veículos que possui" e que se necessário os assessores usam os próprios veículos. Evitar o aluguel de automóveis foi outro argumento do senador, que frisou que atividade parlamentar não se restringe a dias úteis, "estando o parlamentar em contato constante com sua base para atender às demandas postas". O senador afirmou, ainda, que os gastos com alimentação ocorrem no exercício de atividades parlamentares e que as refeições mencionadas estão ligadas ao cumprimento do mandato, estando em conformidade com a lei. (leia matéria completa na Folha)
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