Em bilateral, presidente italiano apoia prioridades brasileira à frente do G20
Em reunião com Lula, Sergio Mattarella elogia Aliança Global contra a Fome e necessidade de reformas em instituições multilaterais. Líderes também defendem a celebração do acordo entre União Europeia e Mercosul
Planalto – Suporte à Aliança Global contra a Fome. Concordância com a necessidade de reformas na gestão de instituições multilaterais. Apoio ao acordo entre União Europeia e Mercosul. Exaltação da longa história de tradição e cumplicidade cultural e econômica entre Brasil e Itália. Esses foram alguns dos consensos a partir de reunião bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente italiano, Sergio Mattarella, nesta segunda-feira, 15 de julho, no Palácio do Planalto.
Temas prioritários da Presidência brasileira à frente do G20, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a reforma das instituições de governança global pautaram parte do diálogo. "A fome no mundo é um problema eminentemente político. Há comida suficiente para alimentar toda a população", afirmou Lula, elogiado por Mattarella, que reforçou apoiar a iniciativa brasileira inclusive no âmbito do G7.
Lula frisou as limitações do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) diante de conflitos bélicos mais recentes, em especial para evitar e encerrar guerras como as que ocorrem em Gaza e na Ucrânia. "Para nós, a paz é a única possibilidade que o mundo tem para se desenvolver. A guerra apenas destrói”, reforçou o presidente brasileiro.
Mattarella disse concordar que o multilateralismo precisa de reforço. Se disse totalmente de acordo com a necessidade de reforma na ONU que lhe dê mais eficácia. Defendeu que, para chegar a esse objetivo, é preciso serenidade e resolver crises que têm esgarçado o tecido do direito internacional e dos direitos humanos.
Estamos unidos não só por nossas comunidades e relações econômicas, mas por valores básicos como promoção da paz, combate à fome, multilateralismo, democracia, direitos humanos e rejeição de toda forma de violência" (Sergio Mattarella, presidente da Itália)
"Estamos unidos não só por nossas comunidades e relações econômicas, mas por valores básicos como promoção da paz, combate à fome, multilateralismo, democracia, direitos humanos e rejeição de toda forma de violência", expressou o líder italiano.
MERCOSUL
Lula e Mattarella também concordaram em relação aos benefícios do acordo
Mercosul-União Europeia (UE). O presidente brasileiro reforçou que o
instrumento depende, atualmente, da coordenação interna da União Europeia.
Avalia que as negociações devem voltar a ganhar força agora que as eleições do
bloco passaram. Mattarella defendeu o acordo como "um verdadeiro instrumento
de colaboração e paz" e saudou o protagonismo do presidente Lula em torno do
tema.
ECONOMIA
O presidente brasileiro abordou, ainda, os números expressivos de crescimento do
emprego no Brasil, o controle da inflação, a retomada de programas sociais
durante seu terceiro mandato e do prestígio brasileiro no exterior, além da
limpeza da matriz energética brasileira e do papel fundamental do país na
transição energética e justa. “Fico feliz que a Itália esteja participando
desse processo de transição energética no Brasil”, afirmou.
AFINIDADES
O evento marca a primeira visita de Estado de um presidente italiano ao Brasil
em 24 anos. Lula lembrou a presença significativa da comunidade italiana no
país, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de
Janeiro. Atualmente, há mais de 35 milhões de descendentes de italianos no
Brasil, a maior comunidade fora da Itália, e mais de 100 mil brasileiros nas
principais cidades italianas, além do fluxo turístico entre os países.
MARCO HISTÓRICO
A visita ocorre no contexto das comemorações do 150º aniversário da imigração
italiana no Brasil e do 80º aniversário da chegada da Força Expedicionária
Brasileira à Itália, e deverá contribuir para projetar a importância das
datas, bem como para ressaltar a profundidade e a abrangência das relações
entre os dois países. Lula destacou a imensa contribuição dos italianos para a
formação da cultura brasileira, industrialização e sindicalização dos
trabalhadores.
FLUXO DE COMÉRCIO
De janeiro a junho de 2024, as exportações brasileiras para a Itália somaram
US$ 2,3 bilhões, ao passo que as importações brasileiras totalizaram US$ 3,2
bilhões. A balança bilateral registrou déficit para o Brasil de US$ 870,4
milhões, colocando a Itália em 6º lugar nos países que mais importam para o
Brasil.
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