Fraude da vacinação em Duque de Caxias funcionava sob encomenda, mediante pagamento ou tráfico de influência, suspeita PF


Jair Bolsonaro teria se utilizado do já existente "escritório do crime da Covid" no município fluminense para fraudar seu certificado de vacinação


Brasil 247
A Polícia Federal intensificou a Operação Venire, lançando nova fase de investigações sobre a suposta fraude nos cartões de vacinação de Jair Bolsonaro (PL), familiares e aliados. As investigações revelam um esquema em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que teria funcionado mediante encomendas e pagamento, além de tráfico de influência política, informa o g1. 

A PF decidiu, também,  indiciar Jair Bolsonaro em dois inquéritos: a venda ilegal de joias recebidas como presentes durante seu mandato e a falsificação de cartões de vacinação contra a Covid-19.

A operação, que visa a esclarecer possíveis fraudes cometidas no final de 2022, revelou que o esquema de falsificação de certificados de vacinação pode não ter sido uma exclusividade de Bolsonaro e seus aliados. A PF acredita que o ex-mandatário e sua família possam ter se beneficiado de um sistema preexistente, um verdadeiro "escritório do crime da Covid", que oferecia certificados falsos de vacinação a quem pudesse pagar ou tivesse conexões influentes.
Entre os principais alvos da Operação estão o secretário estadual de Transportes e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, e a secretária de Saúde de Duque de Caxias, Célia Serrano, os dois suspeitos de facilitar ou participar do esquema de falsificação.

Registros do Ministério da Saúde indicam que Jair Bolsonaro teria recebido duas doses da vacina contra a Covid-19 no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias, em agosto e outubro de 2022. No entanto, ele sempre negou ter sido vacinado. A suposta falsificação visava a permitir a entrada de Bolsonaro e seus próximos nos Estados Unidos, que exigiam a vacinação contra a Covid-19. A manobra teria sido crucial quando Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos EUA, no penúltimo dia de seu mandato (dezembro de 2022).

Em pronunciamento à imprensa, Washington Reis declarou: "reviraram a minha casa de cabeça pra baixo, não tenho nada a esconder. Eu vacinei no meio da rua, mostrando meu braço, vacinando todo mundo. Agora, o que eu acho engraçado, só em época de eleição [que acontece as buscas e apreensões sobre o tema]... Estou há 2 anos esperando, não aparece nada, então, é vida que segue".

O governo do estado do Rio de Janeiro esclareceu, em nota, que a Operação "tem como alvo único e exclusivo a obtenção de cartões de vacinação relacionados ao município de Duque de Caxias em 2022". A nota também reforçou que "não existe nada referente ao governo do Rio na investigação e nem fatos que comprometam a conduta do secretário Washington Reis".

Já a Prefeitura de Duque de Caxias informou que a operação não teve como alvo qualquer órgão vinculado à administração municipal. Sobre os mandados contra o ex-prefeito e a secretária de Saúde, a prefeitura afirmou que não se manifestará devido ao sigilo que recobre os atos.

A Polícia Federal deve solicitar ao STF desmembramento do caso, abrindo novo inquérito, focado exclusivamente nas suspeitas de fraudes em Duque de Caxias. O avanço das investigações pode trazer à tona mais detalhes sobre a abrangência do esquema e seus beneficiários, além de potencialmente implicar outras figuras de influência que podem ter utilizado o esquema para burlar as exigências de vacinação.


Leia mais:
Bolsonaro pode enfrentar 12 anos de prisão por fraude em cartão de vacinação
"Existe toda uma gravidade diferenciada, por exemplo, ele era chefe de Estado, supostamente usou para fins específicos, e isso pode aumentar a pena”, explica Kakay, criminalista

Nenhum comentário

Obrigada por seu engajamento

Tecnologia do Blogger.