Lula diz que governo estuda onde é possível cortar gastos e reafirma que o gargalo da economia está nos juros altos
Juros altos, pontuou o presidente, "encarecem o crédito e limitam a atividade econômica”, impedindo que o Brasil alcance uma curva de crescimento sustentável
Em entrevista ao jornal A Tarde o presidente Lula (PT) afirmou que seu governo analisa onde é possível cortar gastos públicos, e verifica se “há abusos” em programas sociais.
"Importante lembrar que quem propôs o arcabouço fiscal foi o próprio governo, que contou com o apoio da maioria dos parlamentares para aprová-lo no Congresso. Então, é claro que vamos cumpri-lo. Estamos analisando onde é possível fazer cortes e se há abusos em alguns programas. O que tenho dito, e repetido, é que os cortes não podem penalizar os mais pobres, que mais precisam do Estado".
Na entrevista, Lula voltou a criticar a alta taxa de juros determninada pelo Banco Central apontando-a como principal “gargalo” que impede o país de manter uma curva de crescimento sustentável e competitiva no cenário internacional. "O nosso maior gargalo são os juros altos, um dos maiores do mundo, que encarecem o crédito e limitam a atividade econômica”. Ainda sobre juros, Lula apresentou dados econômicos que desmontam a tese do Banco Central ao justificar o nível atual da taxa Selic.
"O Brasil tem inflação baixa, um projeto consistente de retomada de obras de infraestrutura, um governo responsável, reservas internacionais, recordes de balança comercial. A média de crescimento do PIB nos meus dois primeiros mandatos foi de 4,1% e agora, no terceiro, já estamos crescendo acima das expectativas do mercado. Eu espero que os juros baixem e que aproveitemos as oportunidades que a transição energética, nossa agricultura, nossas empresas e a inclusão dos mais pobres podem trazer para fazer a roda da economia girar e construirmos um crescimento inclusivo, sustentável, constante e mais vigoroso".
O presidente também repetiu que indicará alguém “responsável” para assumir a presidência do Banco Central ao final do mandato de Roberto Campos Neto. "Acho que um presidente do Banco Central precisa ter o compromisso com o controle da inflação – até porque a inflação penaliza principalmente os mais pobres –, mas também com o crescimento do país. Precisa ser alguém com muito senso de responsabilidade com o Brasil".
Gabriel Galípolo é a possibilidade mais citada para o cargo ora ocupado por Roberto Campos Neto, embora o presidente não tenha afirmado isso. Na semana passada, Lula disse ainda não ter conversado com Galípolo sobre o assunto. A grande imprensa comercial, porém, apressou-se em distorcer a declaração [gravada em entreevista e amplamente divulgada]. Insinuando alienação por parte do presidente, o que saiu foi que Lula nunca havia falado com Galípolo mas que o considerava um "menino de ouro".
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