Lula: "Não queremos tirar nada de ninguém"
“A gente quer que os empresários produzam” e “ganhem dinheiro” para “contratar trabalhador“, que vai “virar consumidor", disse Lula, em Santa Cruz (RJ)
Lula lembrou que criou o programa Minha Casa, Minha Vida em 2009 e terminou o segundo mandato, em 2010, com 1 milhão de pessoas inscritas: “Nós já conseguimos fazer 7,8 milhões de casas”, disse o presidente. Na sequência, ele lamentou o “período conturbado” que foi o governo Bolsonaro, que “esqueceu de fazer as coisas do povo e passou a contar mentira para esse povo“, disse.
O Presidente afirmou, ainda, que retomou uma série de obras públicas interrompidas e que somente de escola, seriam quase 6 mil. Na saúde, Lula mencionou quase 3 mil. Esse país foi abandonado porque governar não é mentir, não é falar, governar é fazer”.
“O povo mais humilde, o povo trabalhador, só é lembrado na época da eleição. Na época da eleição, o povo pobre é muito falado no palanque, todo mundo gosta de pobre, elogia pobre e fala mal de banqueiro e empresário, porque a maioria é pobre e a maioria tem voto. Depois da eleição, nunca mais essas pessoas se lembram do pobre”, criticou Lula.
Na comunidade do Aço, a previsão é concluir as entregas até 2026, beneficiando cerca de 4 mil pessoas. O prefeito Eduardo Paes planeja demolir as casas antigas à medida que as famílias forem sendo transferidas. O investimento da prefeitura é de R$ 243 milhões, com parte financiada pelo Banco do Brasil. Lula também criticou projetos de moradia popular sem características como varanda e espaço para mesa para refeição e relembrou a época em que vivia em moradias precárias, com apenas um banheiro para muitas pessoas e contou que morou em uma casa de 33 metros quadrados:
“Vamos parar de preconceito contra as pessoas mais humildes. O cara que levanta às 5h da manhã para trabalhar, anda duas horas de ônibus e depois volta para casa para chegar às 8h da noite, esse cara precisa ter respeito, tratar esse cara com decência”, disse o presidente. “Quando saí de Pernambuco para São Paulo, a primeira casa em que eu fui morar era um quarto e cozinha no fundo de um bar, em que o banheiro que a minha família usava – minha mãe e oito filhos – era o banheiro que as pessoas que bebiam no bar iam utilizar. Eu conto isso para vocês saberem que vocês não têm como presidente da República um estranho no ninho”.
Um governo para pobres não ameaça ricos
“Muito dinheiro na mão de poucas pessoas significa pobreza, analfabetismo, mortalidade infantil, fome, miséria, porque é muito dinheiro na mão de poucos, é concentração de riqueza. Mas pouco dinheiro na mão de muitos muda o jogo, todo mundo vai poder comprar um pouquinho, poder comer melhor, todo mundo vai na padaria, vai tomar um café, e a economia gira”.
“Quem quiser dinheiro do governo federal, não faça discurso. Apresenta projeto, porque se o projeto for bem apresentado e uma coisa possível de ser feita, não tem por que o presidente da República deixar de passar dinheiro”, afirmou Lula, no evento em que elogiou Paes, quando afirmou que o Prefeito do Rio é um “possível melhor gerente de prefeitura que este país já teve”.
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