PF prendeu 5 da ‘Abin paralela’ e mira Ramagem e Carlos

Foto: Lula Marques/Agência Brasil


Investigações apontaram gravação de Ramagem revelando que Bolsonaro teria dado aval a plano contra auditores que investigavam Flávio para anular apurações sobre "rachadinhas"


Urbs Magna – A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta quinta-feira (11/julho) quatro dos cinco mandados de prisão preventiva emitidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, na 4ª fase da Operação Última Milha, que investiga o esquema de monitoramento ilegal na chamada "Abin Paralela", liderado pelo atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ e pelo vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Adversários políticos, jornalistas e mesmo aliados próximos do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL) foram monitorados pelo esquema de arapongagem.

Foram presos um subtenente do Exército, um ex-agente penitenciário do Distrito Federal, um videomaker e um influenciador digital, mas um quinto alvo de mandado de prisão ainda é procurado: dono de perfis “Dallas Cowboy” ou “DallasGin”, que atuaria no Gabinete do Ódio.

Mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo foram realizados em Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador e São Paulo, com objetivo de desarticular a organização criminosa.

A PF emitiu nota afirmando que, “nesta fase, as investigações revelaram que membros dos três poderes e jornalistas foram alvos de ações do grupo, incluindo a criação de perfis falsos e a divulgação de informações sabidamente falsas. A organização criminosa também acessou ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos“.

Alexandre Ramagem é investigado por supostamente ter autorizado investigações paralelas, sem autorização judicial e sem indícios de materialidade. A PF apura espionagem ilegal de desafetos do governo Bolsonaro e possível uso da agência em benefício dos aliados do ex-presidente, incluindo Carlos Bolsonaro.

A investigação apura, também,  supostos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, interceptação clandestina de comunicações e invasão de dispositivo informático alheio.

Moraes despachou autorizando fase da operação

“Os investigados, segundo a Polícia Federal, participaram de uma estrutura espúria infiltrada na Abin voltada para a obtenção de toda a ordem de vantagens para o núcleo político, produzindo desinformação para atacar adversários e instituições que, por sua vez, era difundida por intermédio de vetores de propagação materializados em perfis e grupos controlados por servidores em exercício na Abin. O Relatório da Polícia Federal traz prova da materialidade e indícios suficientes dos graves delitos praticados”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.

Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal encontrou uma gravação de áudio no computador do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem que pode se tornar uma prova decisiva no caso das rachadinhas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A gravação é de uma reunião entre Ramagem e Jair Bolsonaro (PL) em que um plano para proteger o senador das investigações sobre desvios de recursos teria sido discutido.

As investigações apontam que a gravação tem cerca de uma hora de duração, e foi produzida por  Ramagem, revelando que Bolsonaro teria dado aval a um plano para abrir procedimentos contra auditores fiscais que investigavam Flávio Bolsonaro, com o objetivo de anular as investigações sobre o caso das rachadinhas, segundo o UOL.

A estratégia surtiu efeito e resultou na anulação das investigações na Justiça. A Polícia Federal considera que o áudio comprova o uso da estrutura da Abin em defesa dos interesses pessoais de Bolsonaro, configurando abuso de poder e desvio de função.

Alvos da Abin Paralela

Moraes retirou o sigilo da Operação Última Milha, que mostrou quem foi monitorado:

Poder Judiciário: ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux

Poder Legislativo: o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado Kim Kataguiri (União-SP) e os ex-deputados Rodrigo Maia, que foi presidente da Câmara, Joice Hasselmann e Jean Wyllys (PSOL). E os senadores: Alessandro Vieira (MDB-SE), Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), que integravam a CPI da Covid no Senado

Poder Executivo: João Doria, ex-governador de São Paulo; os servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges; os auditores da Receita Federal do Brasil Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto

Jornalistas: Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista.

O software contratado pela Abin e usado de forma irregular era o FirstMile, comercializado pela empresa israelense Cognyte. Segundo os investigadores, apesar do encerramento formal do contrato em 2021, há indícios de que o uso do sistema se intensificou nos últimos anos do governo Bolsonaro para monitorar ilegalmente servidores públicos, políticos, policiais, advogados, jornalistas e até mesmo juízes e integrantes do STF.

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