Primeiro voo de repatriação de brasileiros tem previsão de sair do Líbano nesta sexta

Foto Valter Campanato/ Agência Brasil
Ministros José Múcio (Defesa) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), ao lado do comandante da
Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno

Atualização:094/10/ 9:25m

Em consequência da necessidade de medidas adicionais de segurança para os comboios terrestres que se dirigirão ao aeroporto da capital libanesa, a operação do primeiro voo brasileiro de repatriação não ocorrerá no dia de hoje. Novas informações sobre o voo serão prestadas ao longo do dia.
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Estimativa é de que a chegada ao Brasil seja neste sábado, na Base Aérea de São Paulo. Cerca de 220 brasileiros serão resgatados nessa primeira escala
 

Planalto – O primeiro voo de resgate de brasileiros na zona de conflito no Oriente Médio, na operação batizada de Raízes do Cedro, tem previsão de decolagem nesta sexta, 4 de outubro, de Lisboa, em Portugal, com destino ao Líbano. O pouso em Beirute está previsto para 16h no horário local (10h de Brasília). No retorno, a aeronave KC-30 realizará uma parada técnica em Lisboa. A aterrissagem no Brasil está prevista para sábado, 5 de outubro, por volta das 8h de Brasília, na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP).

“Estamos repetindo o que foi feito de outubro ao início desse ano com relação aos brasileiros que estavam na Palestina, na Faixa de Gaza e em Israel. Foi uma operação muito bem sucedida. Foram quase 1.600 cidadãos brasileiros repatriados”, ressaltou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (3/10), para detalhar a primeira fase da operação de repatriação de brasileiros no Líbano.

O comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Damasceno, apontou que o primeiro voo vai retirar 220 pessoas da área de conflito e estimou o número de cidadãos que poderão ser atendidos semanalmente. “Se pudesse identificar o número, 500 pessoas por semana é o que considero interessante e podemos trabalhar. Mas, logicamente, varia de acordo com a disponibilidade de mais aviões”, disse.

Mauro Vieira esclareceu os critérios de seleção para os voos de repatriação. “Em primeiro lugar, brasileiros não residentes. Logo depois, brasileiros residentes. E, dentro dessas duas categorias, o que é estabelecido por lei: idosos, mulheres, gestantes, crianças, pessoas com deficiência, doentes de toda forma. Com base nisso, e com a disponibilidade nos aviões, estamos organizando as listas para que sejam realizados esse primeiro voo, e os subsequentes na medida da necessidade”, afirmou.


Foto: FAB / Divulgação
Aeronave do Governo Federal está em Lisboa aguardando autorização para seguir para o Líbano


ACOLHIMENTO

Na tripulação do KC-30, embarcou uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros e psicólogos para garantir acolhimento e assistência às cerca de 220 pessoas que sairão da zona de conflito nessa primeira escala. "A gente está de prontidão a pedido do Governo Federal. É uma honra, uma satisfação e uma responsabilidade muito grande que nós temos", resumiu a capitã Kelly Gomes, médica. "A gente está aqui para dar um apoio à tripulação e para os passageiros, para que a gente possa mitigar os efeitos desse estresse, de tudo aquilo que causa nas pessoas lidar com situações como essa", completou a tenente Ingrid, psicóloga.

Segundo o tenente-coronel aviador Marcos Fassarella Olivieri, o voo se assemelha ao perfil dos 13 que foram feitos na Operação Voltando em Paz, realizada em 2023 para resgatar quase 1.600 brasileiros e mais de 50 animais domésticos das zonas de conflito em Israel, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. "Nós temos a capacidade de, por voo, repatriar 220 pessoas, além de trazer os pets. Nos enche de orgulho participar de uma missão de tamanho vulto e tamanha importância, de podermos trazer os nossos compatriotas de uma zona de guerra para um local seguro", afirmou Olivieri.

MÚLTIPLAS FUNÇÕES

 O KC-30 usado neste primeiro voo de repatriação é um avião com cerca de 240 lugares, autonomia para até 14.500 quilômetros e foi utilizado várias vezes nos voos humanitários de resgate de brasileiros na zonas de conflito em Israel e em Gaza desde o início da crise Oriente Médio, em outubro de 2023. Com 59 metros de comprimento, é a maior aeronave operada pela Força Aérea Brasileira. Tem capacidade de uso em operações estratégicas, apoio logístico e missões humanitárias. Em casos de calamidade pública, como desastres naturais ou emergências médicas, também pode realizar missões de Evacuação Aeromédica (EVAM) para atender a múltiplos pacientes.


Pelo menos um ataque israelense na madrugada de sexta-feira (horário local) atingiu as proximidades do perímetro do aeroporto internacional de Beirute, de acordo com uma fonte do Ministério dos Transportes e Obras Públicas do Líbano.

Com cerca de 1 milhão de pessoas impactadas Imran Riza, coordenador humanitário da ONU, afirmou que o ritmo de deslocamento da população libanesa excedeu os piores cenários desde 23 de setembro, e que a infraestrutura civil tem sofrido muitos danos.

"O que vimos a partir de 23 de setembro é realmente catastrófico", afirmou Riza nesta quinta-feira, em entrevista à Reuters, referindo-se ao dia em que Israel aumentou drasticamente os bombardeios contra o Líbano, matando mais de 500 pessoas em um único dia, segundo o governo libanês.

"O nível de trauma e de medo na população é extremo", acrescentou.



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