Operação Leite Compen$ado 13 – “O Alquimista” é deflagrada no Rio Grande do Sul

Operação Leite Compen$ado 13 – “O Alquimista” é deflagrada no Rio Grande do Sul



Operação conjunta entre Mapa e Ministério Público desarticula esquema de fraude em laticínio no município de Taquara


Mapa – Na manhã desta quarta-feira (11/dezembro), foi deflagrada a 13ª fase da operação Leite Compen$ado que teve como alvo um laticínio no município de Taquara, no Rio Grande do Sul. Durante a operação, foram apreendidas toneladas de produtos e a fórmula usada para a fraude.

No início, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em empresas e residências de Taquara, Parobé, Três Coroas, Imbé e São Paulo. Uma funcionária da empresa foi presa em flagrante por estar avisando por mensagens para que outros funcionários escondessem seus dispositivos móveis e deletassem mensagens enviadas.

Segundo o coordenador regional do 10º SIPOA (Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal), Márcio Todero, a fiscalização foi realizada de forma produtiva, adotando medidas de controle qualitativo de produtos e processos como a suspensão cautelar das atividades da empresa e posteriormente um auto de infração. “Foram identificados indícios do uso de soda cáustica, elemento utilizado na higienização de fábricas e impróprio para consumo humano, que pode ser utilizado para mascarar o pH [nível de acidez] do produto em análises. E fortes elementos para aplicação de medidas cautelares de apreensão de produtos e suspensão de processos de fabricação e de embaraço ao cumprimento da Lei 14.515 o que configura um risco a saúde pública e a defesa agropecuária”, detalhou.

Além da ureia com formol, que é cancerígeno, em várias fases da investigação foram comprovadas várias irregularidades, entre elas, água retirada de poço artesiano sem qualquer tipo de tratamento, leite azedo ou podre e até com larvas, bem como com sal, água oxigenada, soda cáustica, fungicida e ainda coliformes fecais no produto usado para fabricar queijo. Havia até venda por R$ 10 mil de receita de como adulterar leite entre os envolvidos.


OPERAÇÃO

A operação investigativa consiste em uma atuação articulada entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul (MP/RS), e conta com suporte técnico do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária no Rio Grande do Sul (LFDA/RS). A ação realizada envolveu a vistoria nas instalações da empresa, a coleta de amostras para análise laboratorial no LFDA/RS e a inspeção de depósitos suspeitos de armazenar matérias-primas impróprias.

INVESTIGAÇÃO

A investigação teve como origem uma denúncia formal recebida pelo MP/RS, indicando práticas irregulares na produção de leite UHT e composto lácteo. As denúncias recebidas pelo MP-RS contra a empresa incluem a suspeita da adição de soda cáustica (neutralizante de acidez) em leite nos silos para mascarar alterações na acidez do produto e da utilização de matérias-primas impróprias (produtos vencidos e em más condições higiênico-sanitárias) na fabricação de compostos lácteos.

A Justiça ainda não autorizou a divulgação das marcas, mas a empresa já havia sido alvo da quinta fase da mesma operação deflagrada em 2014, quando foi descoberta a adição de soda cáustica, bicarbonato de sódio e água oxigenada nos produtos da indústria. A investigação identificou a participação do químico industrial conhecido como “alquimista” ou “mago do leite” (Sérgio Seewald ), que já havia sido alvo de outras fases da operação. O advogado do "mago do leite" garante que seu cliente não tem ligação com a empresa, ainda segundo material publicado pela Band, que adianta, também, que a empresa não se manifestou sobre o caso.

O “alquimista” estava impedido pela Justiça de trabalhar em laticínios, mas foi contratado pela fábrica de Taquara como consultor. Ele já havia sido alvo da Operação Leite Compen$ado 5, em 2014, quando foi descoberto seu envolvimento na adição de soda cáustica, bicarbonato de sódio e água oxigenada em produtos de uma indústria em Imigrante, no Vale do Taquari. Ainda aguarda o desfecho do processo judicial dessa fase.

INSPEÇÃO FEDERAL

A empresa mantinha registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF). Nos últimos dois anos, o Serviço adotou diversas ações fiscais na empresa com cinco interdições de instalações, cinco suspensões de atividades e seis autuações por fraude de registros e embaraço à fiscalização, entre outras.

O MP aponta que os produtos da indústria de Taquara são distribuídos não só para todo Rio Grande do Sul, mas para todo o Brasil e para a Venezuela. Além disso, a fábrica já venceu e participa de várias licitações em muitas partes do País para fornecimento de laticínios. Recentemente, a empresa foi vencedora de um certame para distribuir produtos derivados do leite para escolas de uma cidade paulista.

Matéria publicada pela Band adianta, porém, que "lotes de leite UHT, leite em pó e compostos lácteos da fábrica Dielat, de Taquara, no Rio Grande do Sul, estavam sendo adulterados com o acréscimo de soda cáustica e água oxigenada. O flagrante ocorreu nesta quarta-feira (11) durante a 13ª fase da Operação Leite Compensado, realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Ainda segundo a mesma matéria, as marcas vendidas no Brasil são Mega Lac, Mega Milk, Tentação e Cootall. Os produtos que são exportados levam o nome Tigo.

A operação deflagrada foi pontual na empresa denunciada, não havendo indícios de que outras empresas estejam realizando a mesma fraude ou de que o leite do RS esteja com problemas.


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Soda cáustica e água oxigenada foram detectadas em produtos lácteos adulterados, durante a 13ª fase da Operação Leite Compen$ado, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) nesta quarta-feira, 11 de dezembro.

Relembre todas as fases da Operação Leite Compen$ado
Entre 2013 e 2024, o MPRS deflagrou 13 etapas da investigação que tem como objetivo investigar e desarticular esquemas de fraude e adulteração do produto

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