Polícia Federal indicia mais três militares no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro
Novos indiciados, todos militares, são Aparecido Andrade Portella, Reginaldo Vieira de Abreu e Rodrigo Bezerra de Azevedo, informa o g1
A Polícia Federal já havia indiciado 37 pessoas, incluindo Bolsonaro e o general Braga Netto. Os novos indiciamentos serão analisados pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que deve apresentar denúncias ao STF (Supremo Tribunal Federal) em fevereiro.
Aparecido Andrade Portela é apontado como intermediário entre o governo derrotado e financiadores das manifestações antidemocráticas. Ele visitou Bolsonaro no Palácio da Alvorada ao menos 13 vezes em dezembro de 2022, segundo relatório da PF.
A PF diz que Portela utilizava o codinome “churrasco” em mensagens trocadas com Mauro Cid para se referir ao golpe de Estado. Ele mencionou que financiadores estavam cobrando a execução da “ruptura institucional” após contribuírem com recursos, referindo-se aos valores como “colaboração da carne”.
Além de arrecadar fundos, Portela sugeria estratégias de atuação para o movimento golpista e demonstrava preocupação em não ser identificado como organizador dos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023, aponta a PF.
Quanto ao militar O coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu, chefe de gabinete do então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, Mário Fernandes, é acusado de disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral. Ele chegou a levar um hacker à sede da PF em Brasília para tentar formalizar denúncias falsas contra as urnas eletrônicas, frisa matéria da Urbs Magna.
A investigação aponta que Vieira manipulou relatórios das Forças Armadas para alinhá-los com informações falsas divulgadas pelo argentino Fernando Cerimedo. Ele usava o termo “rataria” para referir-se aos participantes das reuniões clandestinas e defendia que o relatório fosse “no mínimo, alinhado” com as mentiras divulgadas.
A PF identificou que Vieira imprimiu um documento intitulado “Gabinete de Crise” no Palácio do Planalto, que seria utilizado para assessorar Bolsonaro após a concretização do golpe.
O terceiro inidiciado é Rodrigo Bezerra de Azevedo, major do Exército e integrante do Comando de Operações Especiais (Copesp), acusado de integrar o núcleo operacional do plano de assassinato do ministro Alexandre de Moraes. O codinome “Brasil” foi associado a um número de telefone que ele utilizava para ações clandestinas.
A PF encontrou ligações feitas por Azevedo para contas bancárias abertas fraudulentamente em nome de terceiros. Um desses números estava cadastrado no aplicativo Signal no celular do general Mário Fernandes, evidenciando vínculos com outros integrantes da organização criminosa.
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