Violência de policiais em São Paulo espalha medo na população


Brasil 247/ EstadãoFolha – Ocorrências de violência desmedida e assustadora da Polícia Militar de São Paulo espalham medo e insegurança à população, provocando manifestação, inclusive, da grande imprensa, normalmente neutra frente aos desmandos da polícia do governador Tarcísio Freitas, desenhado como moderado pela direita que vê nele seu candidato à presidência em 2026.

Estadão

O Estadão cobra de Tarcísio a demissão de Derrite. Segundo o jornal, a truculência policial se tornou método em São Paulo e a presença de Derrite ameaça a democracia e os direitos humanos. Em editorial, o jornal afirma:  "Brutalidade como política de segurança.Tarcísio já avisou que não demitirá Derrite, mas deveria, pois o secretário, afastado da Rota por excesso de violência, é naturalmente incapaz de refrear a selvageria de PMs". 

O jornal alerta "Derrite continua à frente da Secretaria da Segurança de São Paulo. Pior: não apenas continua, como, mesmo diante da comoção causada pelas imagens de truculência policial, consta que o sr. Derrite já está sendo cogitado como candidato ao governo do Estado ou ao Senado. Ou seja, julgam, ele e seus padrinhos políticos, que a violência desenfreada da PM lhe dará votos para cargos majoritários, tendo em vista que a segurança pública é a preocupação número um de muitos eleitores, como ficou claro na recente eleição municipal".

De modo adequado, o texto do Estadão alerta: "O secretário que afetou indignação com os evidentes desvios de conduta de policiais retratados em imagens é o mesmo que celebrou o “sucesso” de operações policiais que deixaram dezenas de mortos na Baixada Santista desde o ano passado e que são alvo de diversas denúncias de abusos". 

A solução, difícil para Tarcísio, é apontada com facilidade pelo jornal: "A solução, portanto, não é afastar um punhado de policiais que deram o azar de ser flagrados em imagens revoltantes. A solução é afastar o secretário de Segurança que estabeleceu a truculência como método – e que por isso mesmo não gosta das câmeras nos uniformes da polícia. Os policiais militares não podem continuar a ter como chefe e inspiração um ex-PM que se orgulha de ter matado muitos suspeitos e que considera “vergonhoso” um policial que não tenha “três ocorrências” de suspeitos mortos a tiros no currículo". 

O Estadão descreve bem: "Cada dia que o sr. Guilherme Derrite continuar à frente da Secretaria da Segurança Pública sinalizará à sociedade que, para o atual governo de São Paulo, vale tudo em nome de um suposto combate ao crime, até mesmo jogar um suspeito de uma ponte durante uma abordagem policial de rotina, matar uma criança de 4 anos durante uma suposta troca de tiros com criminosos, desferir um tiro fatal à queima-roupa em um estudante que deu um tapa no retrovisor de uma viatura ou executar outro suspeito com 11 tiros nas costas porque ele teria furtado pacotes de material de limpeza em um supermercado". 

O relato, porém já está desatualizado, tal a velocidade dos ataques de policiais. No alto desta matéria,  policiais agridem uma senhora idosa, dentro da própria casa, depois de espalhar pânico nos moradores e nos vizinhos que registraram a agressão.




Folha

Editorial publicado nesta quinta-feira 5, pela Folha de S.Paulo também critica a escalada de violência policial em São Paulo, destacando a sucessão de episódios brutais cometidos pela PM sob o governo de Tarcísio de Freitas.  Não recebe destaque, no editorial da Folha, o fato de que a brutalidade demonstrada pela PM paulista teve endosso e estímulo do próprio governador. Na linha do que sustenta o site Brasil 247, cabe a Tarcísio combater a selvageria que o próprio governo implantou.

O texto da Folha lembra que o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, personifica uma política de segurança alinhada com a violência institucionalizada. Enfraqueceu iniciativas para controle da letalidade policial, como o uso de câmeras nas fardas, protegeu agentes envolvidos em mortes e priorizou oficiais da ROTA, unidade conhecida por sua letalidade. Esses retrocessos, como aponta o editorial, comprometem décadas de esforços para reduzir a violência policial no estado. Tarcísio não hesitou em dar respaldo a operações letais, como a Operação Escudo, que resultou em 36 mortes, ou como a Operação Verão, com 56 mortes de civis.

Segundo o editorial da Folha, "o atual governo paulista põe assim em retrocesso décadas de iniciativas para conter a letalidade policial. A sucessão de mortes arbitrárias por PMs fora de controle, no espaço de um mês, apenas coroa a escalada de violência iniciada com a nomeação de Derrite —deputado eleito pelo PL que faz da apologia à linha-dura o esteio de sua carreira política.

Tarcísio, porém, não se rende aos números, escritos com sangue. A conduta ambígua funciona ao estilo morde e assopra, como se a violência policial partisse de indivíduos e não de clara institucionalização.

Brasil 247 chuta em gol a bola que o jornalão apenas levanta:  A Folha acerta ao exigir o fim da “marcha da selvageria”, mas fracassa ao confiar que isso pode ser alcançado sob um governo que reforça práticas violentas e mantém Derrite como figura central. Cobrar mudanças sem questionar a manutenção de uma política que legitima abusos é ignorar o papel do próprio governador no aprofundamento da crise. Sem enfrentar essa contradição, as críticas perdem força e soam mais como um apelo vazio do que como uma análise séria da realidade.


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